Alguns sócios, colaboradores e convidados participaram conosco do SIC-2010 Simpósio sobre Informação Clínica, na semana passada.
O SIC-2010 abordou o registro de informações clínicas sob várias óticas diferentes. Houve o ponto de vista de quem registra (em várias especialidades médicas e enfermagem); o ponto de vista de quem precisa consultar; a visão legal – de ética, sigilo médico e outras obrigações; e a visão da gestão hospitalar; e a visão da tecnologia, que pode facilitar tudo isso, mas ainda precisa amadurecer seus processos.
Não é meu objetivo fazer um resumo de tudo o que foi dito, mas vou deixar aqui algumas impressões que tivemos a respeito de coisas que foram ditas.
A internet
Dois palestrantes usaram a expressão “eu tenho medo da internet”, para expressar um receio (comum na maioria das pessoas) sobre como alguém pode garantir segurança dos dados na internet. Quem desenvolve aplicativos web sabe que isto já não é mais um problema, e que temos boas ferramentas para garantir a segurança… mas será que estamos conseguindo demonstrar isso, para que as pessoas se sintam seguras?
Os programas ainda incompletos
Uma palestrante, da fonoaudiologia (me desculpe, mas já não lembro quem foi), ao descrever os problemas que teve com a implantação do sistema eletrônico, disse que o sistema “não aceita gráficos”! Este é um exemplo claro de sistema incompleto, que alguns usuários têm aceito, de boa vontade, e investido esforço em se adaptar a ele. Se os desenvolvedores elevarem o nível de interação com os usuários durante o desenvolvimento, estas falhas farão parte do passado. É possível fazer com que o programa aceite gráficos, som, e qualquer outra coisa, basta que os desenvolvedores saibam disso, e entendam como é importante.
Os padrões
A palestra do Prof. Dr. Paulo Mazzoncini de Azevedo Marques (da FMRP) foi uma chuva de siglas. Impressiona a quantidade de entidades e de padrões envolvidos na definição de um padrão para o prontuário eletrônico… mas foi muito bom saber que há um esforço para que este padrão (quando existir) seja internacional. Isso facilita o desenvolvimento de ferramentas de código aberto como base para os aplicativos com este fim. Deu para concluir que ainda falta bastante para podermos realmente trocar informações entre sistemas (portanto entre instituições) diferentes, mas que há um grupo de pessoas dedicadas a fazer isto acontecer. Vamos acompanhar!
As pessoas e o treinamento
Pessoas têm resistência à mudança (ao menos a maioria delas), por isso elas são a primeira preocupação e a maior fonte de problemas quando se implementa qualquer processo – o prontuário eletrônico não é diferente. É preciso que as pessoas entendam as vantagens do novo processo para que concordem em fazer um esforço para aprender; para adaptar o seu dia-a-dia à nova tarefa. É preciso que, mesmo após o treinamento, as pessoas tenham a quem recorrer de forma rápida quando têm dúvidas ou problemas, sob pena de se instalar no ambiente a famosa frase “o programa não funciona”. A Dra. Silvia Fonseca, do Hospital São Francisco tem muitas histórias para contar a respeito de como tudo isso funcionou nesta instituição, e me fez pensar pela primeira vez que não seria má ideia ter um manual do XirooCIS impresso em formato “poket”.
A língua escrita
A letra de médico está com os dias contados? Pelo que dizem, ela pode ser substituída por uma variação digital cheia de abreviações incompreensíveis… Será que não há nada que possamos fazer para evitar isso? Como frequente usuária do NetBeans, pensei imediatamente no milagre das teclas Ctrl+Espaço: elas completam palavras dando ao usuário uma lista de possibilidades a partir das letras que ele já digitou. Acho que podemos pensar em algo para os médicos também.
Enfim…
O valor de eventos como este é inestimável pela riqueza de experiências que nos traz. Por isso agradecemos à toda a coordenação do evento, em espacial à Cristiane e ao Kenneth, que trabalharam conosco para viabilizar as participações de várias instituições do país por teleconferência.
Até mais!


